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CAMPOS DE ACTIVIDADES - MANILLE, FILIPINAS
Ora, no terreno, os programas de ajuda de emergência e de ajuda de mais longo termo conseguiram ser organizados, coordenados, recebendo o apoio das populações sensibilizadas e das autoridades locais. Seu trabalho encontra-se agora reconhecido e apoiado de várias simpatias de toda parte. Trata-se antes de tudo de salvar aqueles que sofrem mais nessa megalópole de 15 milhões de habitantes : as crianças e os adolescentes sem família que vivem na rua 24 horas por dia. As condições de vida deles são horríveis. Essas condições nos emocionam e nos escandalizam. É a regra da sobrevivência e, por conseqüência, da violência das drogas duras, da solidão extrema, mas também, em Manille, da prostituição cuja criança usa como recurso para ter a ilusão de ser amado, para lavar-se, para alimentar-se e para trazer algum dinheiro à banda de crianças com a qual ele vive. Essa situação, que é horrível para um adulto, é mais ainda para uma criança que não tem recebido uma estruturação afetiva, psicológica, assim como a força para se fazer respeitar, face aos maiores na desordem da rua. Para remediar tais situações não é necessário criar grandes internatos fechados ou semi-fechados com um bando de especialistas. A partir de um centro de escuta ligado inteligentemente a um trabalho na rua efetuado por educadores competentes e motivados, aos poucos apresentou-se, pela aspiração das crianças, o projeto de criar pequenas estruturas de tipo familiar onde estas se sentiriam ao mesmo tempo livre e em segurança. Sendo elas mesmas autoras do projeto, as crianças aceitam melhor as regras de base : não roubar, não usar drogas, não vender-se, não mentir para as grandes questões. Cada lar, que nunca terá mais de 20 crianças, modela-se sobre os modelos parentais sem, no entanto, pretender tomar o lugar da família de origem. Por outro lado, aceitamos que a criança passe por recaídas, pois ela ficou durante muitos anos acostumada ao mundo da rua. Pouco a pouco, no entanto, a criança esboça o seu futuro com a ajuda dos adultos, que lhe dá um apoio que não separa o afetivo do educativo. O ser escutado, o ser reconhecido, o ser amado, o contar com o outro, revelam-se serem potentes motores para a integração.
Na minha chegada às Filipinas em 1987, eu fiquei escandalizado de ver essas bem pequenas crianças viverem e morrerem nas ruas de Manille. Eu não tinha a pretensão de solucionar o problema, mas eu queria ajudar as crianças a viverem outra coisa que a rua. Nós criamos então, com parceiros filipinos, uma primeira casa de acolhimento para crianças das ruas. Nossa primeira aproximação consistia em observar as crianças da rua lá onde elas viviam para colocar-se à sua escuta, conhece-las e se fazer conhecer por elas. Nós sempre quisemos dar a prioridade às crianças que ninguém queria : deficientes, prostituídas, crianças que consomem droga, etc. Em seguida, pela primeira vez nas Filipinas nós propusemos às crianças que não podiam retornar nas suas famílias, de se reunir numa casa familial, onde o número de crianças não passa de 20, estruturada em volta de um casal presente 24 horas por dia, de uma dona de casa e de uma assistente social. O fato de encontrar um ambiente familiar (amor, atenção, escuta) devolve a essas crianças, a maioria delas muito sofredoras, o gosto de viver e de esperar uma outra vida. A escolarização tem um papel importante na inserção e equilíbrio das crianças. Essas últimas, resolvendo seus problemas afetivos, desejam tornar-se crianças como as outras. Ser escolarizado é já, em Manille, uma vitória em si. Isso ajuda a pensar o futuro, a se dar um futuro melhor. Para aqueles que não se apegam aos estudos, as formações técnicas ou artesanais são uma outra opção. As crianças das ruas estão sempre em situação de risco. Muitas crianças vivem nas ruas desde a idade de 4 anos. A miséria econômica arruína frequentemente as famílias que abandonam suas crianças na rua ou as maltratam. Alguns são deficientes e conhecem uma dupla rejeição. Em seguida a droga, o roubo, sem contar a prostituição, levam a criança a se marginalizar cada vez mais. Nas ruas, as meninas são bem menos numerosas que os meninos (entre 20 e 25%). Muitas dentre elas se prostituem e são rejeitadas pela sociedade. Nós criamos também, especialmente para elas, uma casa familiar de acolhimento. Qualquer que seja a sua idade ou seu sexo, todas as crianças de rua sofrem do mesmo abandono que elas tentam esquecer formando as pequenas gangues. Cada uma dessas gangues dirige e protege seu território. Nesse estado de abandono, a droga toma um lugar importante. As crianças a consomem sob forma de solvente, de anfetaminas ou de barbitúricos que eles acham facilmente. 80% das crianças de rua se drogam regularmente para esquecer, mesmo que um só instante, sua angústia e sua solidão que são imensas. No entanto, os efeitos da droga se mostram desastrosos tanto para o equilíbrio psíquico como para o comportamento social e a violência que ela desencadeia.
As crianças das ruas não são somente rejeitadas, elas são também abusadas por adultos sem escrúpulos. Até 1993, as crianças encontravam-se fechadas na prisão
de Manille pela simples acusação de vagabundagem. Graças
à tenacidade da fundação para fazer-las sair e graças
à compreensão das autoridades da cidade, as crianças
não são mais encarceradas, mas acolhidas temporariamente numa
casa aberta perto da prisão. Uma peça da casa foi arrumada para
as meninas, uma outra para os meninos.
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