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A CRIANÇÕ DUM PROJETO

* Os participantes da ação
* As estruturas do projeto
* O custo de uma aação
* Participantes financeiros para o futuro
* As dificuldades


Os participantes da ação
  • As crianças de rua.

As crianças é que decidem, inventam e planejam a ação. Não se esquecer disso é fundamental. Não adianta falar, é preciso agir. Os melhores projetos feitos nos escritórios de Paris, Washington, Bruxelas ou outros, fracassam se eles não têm a participação dos atores principais. Não basta consultá-los ; deve-se considerá-los como os principais participantes.

  • Os educadores do país.

A melhor formação se recebe no local. Vale mais um antigo escoteiro ou um ex-treinador de esporte benévolo do que a teoria de uma pessoa formada, e às vezes, muito mal, no estrangeiro.

  • Os financiadores.

Não é porque nós possuímos o dinheiro que sempre teremos razão.
Seria oportuno lembrar aos organismos internacionais sua responsabilidade e acordá-los de sua letargia quase culpável.

  • O bairro e os movimentos de jovens.
  • Os poderes públicos.

- Ação social.
- Saúde.
- Educação nacional e formação profissional.
- Polícia.
- Justiça.

  • Igrejas, mesquitas e chefes religiosos.

Lembrar-se que cada religião considera como um dever sagrado a solidariedade com os pobres, em particular, as crianças abandonadas.

  • A imprensa e a mídia.

Cada um tem o seu papel. Um consenso deve existir sobre os princípios. Na prática, a COORDENAÇÃO entre todos é fundamental. Os projetos de Bujumbura ou de Niamey são um exemplo disso.
É preciso evitar, custe o que custar, a "síndrome da Paz", onde as associações para crianças de rua fazem concorrência, e onde, às vezes, uma destrói o trabalho da outra.

No dia em que todo o mundo se convencer de que as crianças de rua não devem mais existir, todos os seus problemas estarão praticamente resolvidos.


As estruturas do projeto

Uma ação possui :

- Ma direção no local.
- Um mestre de obras no país.
- Um ministério de tutela no país. O projeto precisa ter um convênio com o Estado, mas deve continuar autônomo e possuir uma contabilidade própria.
- Um financiador ou um organismo responsável pela coordenação dos financiamentos.

A partir dessas constatações todas as variantes podem ser inventadas. O essencial é de saber :
- Quem faz e o que faz ?
- Os participantes estão de acordo entre eles ?

O objetivo deste documento é de buscar uma resposta antecipada para os problemas que poderiam surgir.


O custo de uma aação

Ajudar uma criança a viver tem um preço, mas a sua vida não tem preço.

É muito difícil estimar o custo de um programa estando na França, pois os preços variam muito segundo os países.

  • O custo de um centro do tipo familiar.

Um centro do tipo familiar para doze crianças significa :

    • No investimento
      - 12 esteirões e doze cobertas.
      - Uma esteira.
      - Um fogãozinho a gaz.
      - 12 pequenas malas para guardar as coisas das crianças.

    • No funcionamento
      - O aluguel de um barraco.
      - O salário de um animador que seja do mesmo local das crianças. Os salários são normalmente baixos nos países onde existem crianças de rua.
      - Uma indenização para a cozinheira. Esta pode ser uma vizinha que vem duas vezes por dia ou a esposa do animador.
      - A comida, quer dizer, normalmente um quilo de arroz com peixe. Na Mauritânia, dá-se uma fruta uma vez por semana para prevenir o escorbuto.
      - Por acasião da grande festa, uma vez por ano, dá-se o mínimo de roupas. Pode-se pedi-las na Europa.
      - O material escolar e os produtos de limpeza.
      - A água e as velas.
      - Por acasião da grande festa, uma vez por ano, dá-se o mínimo de roupas. Pode-se pedi-las na Europa.
      - Uma pequena mesada (na Mauritânia são 35 centavos por semana). Isso evitará que as crianças roubem para comprar o supérfluo, do qual a criança sente necessidade (por exemplo: cigarros, sobretudo no início). Pode-se permitir à criança de fazer alguns serviços no bairro e assim ganhar um dinheirinho.
      - O meio de transporte para ir ver os pais se estes foram localizados, preparando assim a volta à família, se isso for possível.
  • Custo da direção do projeto.

- Salário do diretor.
- Gastos da contabilidade.
- Carro, motocicleta ou outro veículo, dependendo do projeto.


Participantes financeiros para o futuro
  • Em primeiro lugar.

Para prosseguir e desenvolver a ação, e também para mostrar que este projeto é realista e realizável, o financiamento será pedido às ONGs de apoio.

Dirigir-se primeiramente :
- ao Fundo de Solidariedade para as Crianças de Rua do grupo Raul Follereau.
- ao Secours Catholique.
- aFundação de França.
- ao CCFD.
- as Obras Hospitalares da Ordem de Malta.
- aos Médicos sem Fronteira
- aos Médicos do Mundo
- etc.

  • Num segundo tempo, os organismos responsáveis pelo problema das crianças da rua devem assumir a ação.
    • A saber
      - a UNICEF
      - a Cooperação Francesa e a Francofoniala

    • Mas também
      - HCR
      - os conselhos gerais e regionais das regiões que recebem os imigrantes
      - as grandes empresas que trabalham na Africa...

As dificuldades

Financeiras ou políticas, elas são numerosas. Mas o obstáculo principal para a realização deste projeto é a falta de recursos humanos. Encontraremos nós, no local, nas ONGs, nos Ministérios ou nos organismos internacionais, pessoas suficientemente entusiasmadas e competentes para realizá-lo ?

Atualizada no dia 21 de novembro 2008